29.7.09

novas cidades invisíveis: centrina


Centrina surge como uma miragem em meio a um planalto que não tem fim. Seu lago a envolve e a salva da brutalidade da seca e da poeira. Suas ruas e praças formam um desenho de um pássaro em pleno voo. Homens poderosos percorrem suas vias em máquinas locomotoras que desafiam a velocidade e ignoram os transeuntes.
O viajante que se aventura por essas paragens descobrirá que Centrina é, na verdade, um grande labirinto. Seus prédios, ruas, praças e monumentos se repetem. Tudo é feito para confundir o viajante. Centrina existe e não existe! Ela engana e seduz, e se inventa e reinventa em seus palácios alvos que parecem flutuar. O viajante despreparado, ao visitar muitas vezes esta cidade, pode ficar enfeitiçado e não querer mais seguir viagem. No entanto, a verdadeira Centrina se encontra no entorno, onde rostos surrados pela labuta diária, pobres de todas as estirpes habitam em amontoados de casas, distantes dos poderes, distantes da vias largas, distantes do luxo, próximos do nada.