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17.2.14

[alhures]...lenda pessoal


"A lenda pessoal é aquilo que você sempre desejou fazer. Todas as pessoas, no começo da juventude, sabem qual é sua lenda pessoal.
Nesta altura da vida, tudo é claro, tudo é possível, e não temos medo de sonhar e de desejar tudo aquilo que gostaríamos de fazer. Entretanto, à medida em que o tempo vai passando, uma misteriosa força começa a tentar provar que é impossível realizar a Lenda Pessoal.
Esta força que parece ruim, na verdade está ensinando a você como realizar sua Lenda Pessoal.
Está preparando seu espírito e sua vontade, porque existe uma grande verdade neste planeta: seja você quem for, quando quer com vontade alguma coisa, é porque este desejo nasceu na alma do Universo. É sua missão na Terra." (Paulo Coelho)

Força Sempre!
17fev2014

27.1.14

[alhures]...peregrino de meca

Uma breve história de Paulo Coelho!

Abd Mubarak ia até Meca quando sonhou certa noite que estava no céu. Ali, pode escutar dois anjos conversando.
“Quantos peregrinos vieram este ano à cidade sagrada?”, perguntou um anjo.
“Seiscentos mil”, respondeu o outro.
“E, destes todos, quantos tiveram sua peregrinação aceita?”
“Nenhum. Entretanto, existe em Bagdá um sapateiro chamado  Ali Mufiq,  que  não efetuou a caminhada; mas  sua  peregrinação  foi aceita, e suas graças beneficiaram os 600 mil peregrinos”.
Abd Mubarak voltou a Bagdá. Encontrou o sapateiro Mufiq, e lhe contou o sonho.
“A custa de grandes sacrifícios, terminei juntando 350 moedas”, disse, chorando, o sapateiro. “Entretanto, quando estava pronto para seguir até Meca, descobri que meus vizinhos tinham fome. Distribui o dinheiro entre eles, sacrificando minha peregrinação”.

http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2013/09/12/da-peregrinacao-2/

Força Sempre!
27jan2014

22.1.14

[devaneios tolos]...sobre rolezinhos e mutações sociais

Eu não gosto de funk, não gosto de camisetas polo listradas misturadas com bonés com abas para trás, não gosto de ver garotas com shorts tão curtos que disputam com o comprimento das camisetas. Enfim, não sou afeito a essa nova estética da periferia que invade as grandes cidades.
Acho importante deixar isso claro! Isso é gosto, simplesmente preferência estética. Nada de preconceito, de luta de classes, de espírito burguês. Quero apenas refletir sobre recentes acontecimentos no universo juvenil.
Os recentes rolezinhos feitos em variados shoppings de São Paulo (e agora em outras cidades) são fenômenos a serem analisados: Por que jovens andando por espaços públicos (mesmo que agora os administradores desses centros de compras queiram se proteger com a categoria de espaço privado) assombram tanto a sociedade? Enquanto eles apenas circulavam os corredores de compras, de forma anônima, silenciosa e consumista, não causavam nenhum tipo de alvoroço. Com a convocação das redes sociais, eles passaram a mostrar rostos, gostos e músicas. Por vezes, algazarra, perturbação e vandalismo.
Durante muitas décadas, um invisível muro separou os ricos dos pobres. Esses últimos sabiam bem o seu lugar na tessitura social. Os ricos, por sua vez, pareciam viver num mundo ideal de distinção e de segurança. Mas o mundo mudou! Hoje a dita classe C tem poder de compra que vai além dos carnês das Casas Bahia. Eles compram TVs de plasma, computadores, celulares. Viajam de avião, lancham no McDonalds, degustam iorgurtes e comem no Outback. Tudo agora é possível. 
Os outrora intocáveis territórios agora se confundem. Dias atrás, fui numa formatura de um colégio paulistano de jovens de classe média, média-alta. O som tecno (que tanto detesto também!) rolava solto com os efeitos luminosos inebriantes, open bar e outras cositas! Lá para as tantas um som de funk da periferia invadiu a pista, para o delírio dos jovens criados com muito Ovomaltine no café da manhã. Fiquei estarrecido com a massa acompanhando aos berros uma música que dizia: "É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado". Fui obrigado a recordar um conhecido que torce para aquele time da Marginal Tietê e que grita a plenos pulmões que é fanático e favelado, mesmo nunca tendo entrado numa comunidade da periferia e tendo um gosto refinado (e um bom cartão de crédito Platinum) por vinhos e por bares boêmios da Vila Mada.
Os muros que separavam ricos e pobres se relativizaram. É notório imaginar que nenhum pseudo-intelectual de plantão da mídia hegemônica comenta sobre os rolezinhos que jovens ricos fazem em favelas para conhecer a "vida bandida" e comprar sua cocaína e maconha. Nenhum comentarista comenta a venda para estrangeiros de pacotes turísticos que incluem a visita em favelas cariocas para se conhecer sua arquitetura peculiar e sua cultura pitoresca. Comenta-se de jovens da periferia que buscam transpor barreiras e conhecer e apropriar-se de espaços interditados.
Não me agrada ver hordas desordeiras e barulhentas de qualquer espécie. Acho que civilidade tem seu preço. Quando retorno de jogos do meu Palmeiras, fazendo parte de uma horda verdadeiramente desordeira, sou forçado (para o bem da coletividade, para o respeito de outros que não se ligam à estética fanático-futebolistica) a me calar e me comportar ao entrar na estação do metrô. No entanto, simplesmente proibir manifestações populares não leva a nada, acredito que apenas potencializa as vozes mudas dos excluídos.
Os rolezinhos são coisa boa? Acho que não. São ilegais? Creio que não. Na verdade, são pontas de um iceberg que emerge com força avassaladora. Os ditos rolezinhos são sinais evidentes de um mundo em mutação, de novas acomodações estéticas, de quebras paradigmáticas, de instabilidades territoriais, de inusitadas mudanças sociais. E o novo sempre vem. E o novo sempre assusta.

Uhhh1: A música Mais do Mesmo, do Renato Russo, retrata bem esse universo dos "civilizados" que invadem os morros. Dos rolezinhos aceitos!

"Ei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo o morro pra tentar se divertir
Mas já disse que não tem
E você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz?
Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique assim igual a você
É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
E quando tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?
Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?"

Uhhh2: Por que as multidões nos assustam?

Uhhh3: Foram as hordas dos descontentes que iniciaram a Revolução Francesa! Quando as cabeças vão começar a rolar?

Uhhh4: Nossas estruturas legislativas, econômicas e republicanas (no Ocidente como um todo) estão preparadas para essa "Invasão Bárbara"?

Força Sempre!
22jan2014

21.1.14

[reflexões]...o planeta água

O soviético Yuri Gagarin foi o primeiro homem a realmente ver nossa mãe Gaia. Tal qual a criança que abandona o aconchego do útero para experimentar a vida, Gagarin transpôs os limites do grande útero telúrico e exclamou: "A Terra é azul!" 
Para o espanto geral, a nossa casa mãe não traz a cor das terras ou dos inóspitos desertos, ela traz a cor do abissal oceano, com seus perigos, segredos e poesias. Talvez, muitos já disseram isso, o nome correto de nosso planeta deveria ser Água.
Percorrer as distâncias é sempre algo que me fascina. Desejo conhecer tudo. Quero que meus pés acompanhem a minha insaciável curiosidade e meus imensos desejos. Desejo trilhar rotas, traçar mapas, perder-me para achar-me: o mundo é tão grande e existe tanta coisa para se descortinar, para aprender e para contemplar. Fico extasiado com a Serra do Mar, com os caminhos de peregrinação, com as geleiras meridionais, com os cumes inóspitos, com as metrópoles, com os turbilhões de gente.
Nesta última semana fui apresentado, por amigos queridos, a um mundo que minhas botas ainda não conheciam (e nem foram necessárias). Fui apresentado ao tenebroso oceano. Já o conhecia desde a costa, como quem acaricia o ser amado sem querer desvendar seus segredos. Agora, timidamente, conheço sua força, sua imensa dimensão, seus seres que nadam com se fossem alados, sua profundeza, a confusa mistura de medo e de sedução. Olhando desde um frágil conjunto de óculos e de snorkel posso concordar com o desbravador Gagarin: o mundo é realmente azul, sedutoramente esverdeado, perigosamente profundo, furtivamente acalentador!


Força Sempre
21jan2014

17.12.13

[alhures]... pedido de asilo de edward snowden

A questão da segurança e da privacidade é algo urgente a ser discutido em todas as esferas mundiais. Edward Snowden ao divulgar materiais secretos da NSA, a agência de arapongas do estadunidenses, acabou abrindo os olhos do mundo para a gravidade do monitoramento eletrônico de bilhões de pessoas, em variados cantos da Terra.
Espero que o Brasil conceda o asilo político para Snowden, com todas as consequências que isso possa causar.

PS. Grifo nosso




CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL
EDWARD SNOWDEN



Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria "segurança" --em nome da "segurança" de Dilma, em nome da "segurança" da Petrobras--, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.
A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é "vigilância", é "coleta de dados". Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima --em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas-- e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: "Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver."
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.

17.11.13

[reflexões]...a vida por um triz

Tem uma música do Skank que adoro. Lá para as tantas, tem um frase que me faz estremecer da cabeça aos pés: Só se vive por triz!
Gosto de imaginar a vida como uma aventura. Gosto de imaginar personagens, missões, desafios, choros, morte e alegrias. No entanto sei - no mais fundo de mim mesmo - que a vida é ordinária. Nessa vida caótica, e muitas vezes sem sentido, só nos conhecemos nos limites. Necessitamos conhecer as fronteiras, os limites para ter alguma clareza do que somos, do que desejamos, do que nos enfraquece ou fortalece. É acertado dizer que vivemos sempre por um triz.
Ainda nessa música do Skank se fala: "Só o amor pode apagar. O que o desejo rasurou." Talvez o amor, esse sentimento tão sincero e avassalador, tão fragiliza te, possa nos dar pistas para o entendimento da vida. Mais do que entender a vida devemos vivê-la... e amá-la.

Por curiosidade: Por um triz (Skank) http://letras.mus.br/skank/70958/

12.6.13

[devaneios tolos]...entre direitos e vandalismos

O Movimento do Passe Livre (MPL) tem mostrado sua cara nas recentes manifestações pelas ruas das grandes cidades brasileiras. Cidadãos protestam contra o aumento nas passagens de ônibus, contra a falta de sérias políticas públicas para a locomoção urbana. Protestam num estado de direito, numa democracia constitucional: um legítimo ato de cidadania e posicionamento político.
No entanto, diante de vandalismo inconsequentes - como os mostrados nas manifestações paulistanas - fica uma pergunta no ar: Qual o limiar entre protestos democráticos e frenesi vândalo?
Escrevo este post tomado pela perplexidade do quase linchamento de um policial. Alguns dirão que a polícia também espanca os manifestantes, outros dirão que a luta está nas ruas, que a massa é incontrolável. Mas, será que a vingança violenta é realmente a solução para uma causa de importância coletiva?
Talvez as reivindicações do MPL sejam justas. É certo que os poderes públicos pouco ou nada nos representam, que fazem descaso com o transporte coletivo, que privilegiam elites. No entanto, misturados com nobres causas estão também vândalos, rebeldes de modismos, alienados políticos. Não creio que esse tipo de derramamento de sangue (seja de que lado for) irá produzir adesão social para a causa proposta pelo auto-denominado movimento horizontal do passe livre.

PS: Outras agressões contra manifestantes, repórteres e cidadãos em geral devem ser igualmente repudiadas.
PS: Por trás de toda capa de civilidade e de adestramento esconde-se um animal selvagem: o homem!

1.4.13

[alhures]...no dia da mentira queremos a verdade

No dia da mentira queremos a verdade.
Nesses últimos dias tenho lido muito sobre as peripécias judiciárias do Sr. Ali Kamel, il capo da central "jornalística" da Globo. Blogs independentes (o mais recente: viomundo.com.br) sofrem condenações judiciais por discordarem da poderosa Central Globo de Jonalismo, na pessoa do Ali alguma coisa. Condenações de difamação... va bene cosi!
Mas é possível levar a sério uma rede televisiva consolidada pela íntima relação com a ditadura militar?
Proponho uma visita ao documentário Além do Cidadão Kane (que nunca passou na Tela Quente!) e um olhada num editorial do Roberto Marinho, tecendo apoios à agonizante ditadura (que ele insistia em chamar de Revolução de 1964!).

Documentário Além do Cidadão Kane
(antigo e atual)


Leitura peculiar do Roberto Marinho sobre a Ditadura Militar no Brasil


Recado de Sílvio Santos a Roberto Marinho


24.12.11

alhures: nietzsche e a amizade estelar...

"Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois navios que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos – e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol. Parecendo haver chegado ao seu destino e ter tido um só destino. Mas, então, a todo-poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos, e talvez nunca mais nos vejamos de novo – ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é da lei acima de nós: justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos – elevemo-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade. – E assim crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos de ser inimigos na Terra". (Gaia Ciência, 279)