Mostrando postagens com marcador realidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador realidades. Mostrar todas as postagens

30.7.15

[realidades inventadas]...a menina que voltou mulher

Ela nunca tinha colocado seus pés para fora de casa. A menina de rebeldes cabelos conhecia apenas os limites de seu mundo real. Dentro de sua mente acalentava sonhos de lugares distantes, de línguas estranhas, de rostos desiguais. Sonhava sempre com a partida, não porque não era feliz, mas porque acalentava desejos de ser completa.
Um dia partiu e foi para terras além mar. Conheceu cidades, pessoas, amores. Embrenhou-se por ruas e perigos, por monumentos e gentes. Agora retorna. Em sua bagagem carrega coisas desimportantes. Em sua cabeça carrega um mundo de significações, lembranças e saudades.
A menina de cabelos rebeldes agora volta mulher.
Seja bem vinda a sua casa! Lembre-se que sempre é hora de partida!

Força Sempre!

4.2.14

[realidades inventadas]...

Com um certo ar de desdém olhou para a uma pessoa no ponto de ônibus. Desde sua possante máquina automotiva o mundo parecia pálido e insignificante. Acreditava que suas vestes D&G, seu celular de última geração, sua caneta tinteiro Mont Blanc, seu sapato Prada ofereciam algum sentido para a vida. Seu desdém para com os transeuntes da metrópole era algo constante. Uma existência demasiadamente sofisticada e destacada para perceber o verdadeiro sentido do viver.

04fev2014
Força Sempre!

15.12.13

[realidades inventadas]...

Olhos vermelhos de tanto chorar, coração apertado e mente em ebulição. Ao desembarcar do trem suas certezas eram diminutas. Um mundo, um amor seguiam suas viagens. Era tempo de partidas e de corações partidos.

26.11.13

[realidades inventadas]...

O seu armário aberto era um convite para o pecado: bolsas, sapatos, sandálias, camisetas, calças. Tudo numa quantidade desmedida. Horas e horas de escolhas. Combinações insinuantes. Recombinações. Olhares excessivos em espelhos. Tudo tão cansativo, tão desnecessário, tão superficial.
Saia de seu apartamento sempre com um gostinho de que deveria ter escolhido melhor o look. De que deveria ter caprichado mais na maquiagem. Uma vida de glamour, uma existência em frangalhos.

12.11.13

[realidades inventadas]...

Num quarto estranho desvencilhou-se das garras de Morfeu. Acordou-se e teve que contar até dez para redescobrir em que lugar estava.
Mais uma vez nu ao lado de um corpo estranho. Nada de belo, nada de romântico. Como dizia um velho amigo, "apenas mais uma conjunção carnal".
Vida prazerosa, vida vazia e sem sentido. Nada é mais solitário do que os poucos minutos  que decorrem entre encontrar suas roupas e fugir sorrateiramente.

10.9.13

[realidades inventadas]...a realidade bate na porta

Ele fuçava todos os dias seu perfil no Facebook. Acredita que aquela engenhoca seria a solução para seus problemas, para sua solidão. Acreditava que a virtualidade era real. Comunicava-se com todos, contava sobre vidas imagináveis. Postava fotos tomadas de sites russos e manipuladas digitalmente. Contava vantagens, inventava viagens e compras.
Certo dia alguém virtual bateu sua porta real. Titubeou para atender, teve calafrios e lágrimas. Fingiu que não estava em casa. A realidade era muito dura: aceitou a realidade solitária e deletou sua conta no famigerado site de colecionadores de amigos imaginários.

17.5.13

[realidades inventadas]...olhando o vazio


A vida segue seu rumo, independente de vontades, medos ou expectativas. Olhar pela janela tornara-se uma tosca tentativa de mirar o nada e vislumbrar a si mesmo.
A expectativa de entender sua existência apenas acentuara seu desconhecimento, estranhamento. A vida tornara-se caótica. Tornara-se perigosamente inútil, um convite para um mergulho abissal.
Ainda distraído, fechou a janela. Virou-se para o interior de seu apartamento e reconheceu: "Esta - e tão somente esta - é minha vida." Amor fati!