
Eu ainda não perdoo a perda do Oscar de Brokeback Mountain para o filme Crash. No entanto, esse filme, entrecortado de numerosas histórias paralelas, é muito bom. Eu o revi ontem, após um dia lotado de coisas. Já tinha esquecido grande parte do roteiro. E tinha ignorado várias facetas que só tomaram luz agora, tanto tempo depois da primeira vez que o assisti.
O filme fala sobre encontros e desencontros. Sobre crashs, esbarrões que damos em pessoas todos os dias. Pessoas conhecidas e desconhecidas. Pessoas anônimas que passam subitamente a habitar nossa existência, pessoas íntimas que desaparecem num piscar de olhos. O filme retrata a instabilidade da vida, a possibilidade de o mocinho também ser um bandido e o bandido não ser tão mal assim. Crash retrata preconceitos existentes, imaginários e embrionários. Tudo tão perto, tão complexo e tão cotidiano.
Assistindo esse filme, como também o genial Babel de Alejandro González, fico com o meu questionamento niilista à flor da pele: será que existe esperança?