8.6.12

[alhures]...ademir da guia: divina poesia

Poema de João Cabral de Mello Neto para o Divino Ademir da Guia!


Ademir impõe com seu jogo 
o ritmo do chumbo (e o peso), 
da lesma, da câmera lenta, 
do homem dentro do pesadelo. 
  
Ritmo líquido se infiltrando 
no adversário, grosso, de dentro, 
impondo-lhe o que ele deseja, 
mandando nele, apodrecendo-o 
  
Ritmo morno, de andar na areia, 
de água doente de alagados, 
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.


(do livro: Museu de Tudo, 1975)