26.10.12

[devaneios tolos]...o desejo inenarrável de dizer-se

Um jovem chegou até mim como uma surpresa. Simples, honesto e cativante: carregando dúvidas e incertezas. Dores demais para alguém de pouco mais de vinte anos. Dores da existência, dores entranhadas - contagiantes - de alguém impulsivo, invadido por uma ânsia de dizer a verdade, de dizer-se incessantemente, de mostrar-se. Crendo ser isso sinceridade.
O que fazer diante de alguém tão atordoado pela angústia do viver? o que falar? o que calar? como confortar?
A duras penas prefiro o olhar, o abraço amigo, a possibilidade de oferecer algum porto seguro, alguma tranquilidade em meio às tormentas.
Dele resta o desejo inenarrável de dizer-se, uma catarse de vomitar-se a si mesmo para ter-se, para conhecer-se, para discernir caminhos e tentar seguir em frente. Preso a um alucinante girar, insistentemente, em temas fixos, já desgastados, quase escravizadores.
Jovem alma agitada: lava o rosto, refresca a alma, acalma a existência. Aceita sua grandeza, sua singularidade. Aceita as rotas traçadas, restabelece novas direções. Aceita a brisa leve da vida, o sopro que tudo renova, tudo purifica, tudo amadurece. Ouve essa antiga benção irlandesa como um refrigério e como uma prova de amizade:

Que a estrada conduza ao teu encontro,
Que o vento esteja sempre em tuas costas,
Que a luz do sol esquente tua face,
Que a chuva caia docemente sobre teus campos,

E, até que nós nos reencontremos, 

que Deus te carregue sobre a palma de sua mão. Amém.