17.11.12

[devaneios todos]...sobre a morte

Shakespeare mostrou toda a perplexidade diante da morte, na contemplação que Romeu faz de sua inanima Julieta. A morte como um enigma, uma surpresa, uma irreconciliável relação com o inevitável, com o inefável.
Diante do corpo morto fica a ambígua certeza do fim e do torpor, a ilusão de uma respiração que não virá. Diante do corpo nú todas as mesquinharias perdem sentido. Quem fica vivo pode morrer simbolicamente diante dessa pálida lembrança de vida, pode permanecer morto ou ressurgir para uma nova existência: carpe diem, vita brevis!
Estive diante de dois corpos mortos: ambos, em tempos diferentes, ensinaram-me a mesma coisa: a vida é muito curta para não ser vivida.