Quando o Zaratustra de Nietzsche desce a montanha e anuncia o Além-do-homem, a plateia atônita prefere continuar piscando seus olhinhos e aclamar o Último homem. Num desenfreado desejo pela analgesia acaba-se por preferir o não viver, o não sofrer: pequenos prazeres sem grandes dores. Uma vida apequenada, medíocre e covarde.
A nossa sociedade ao abdicar de uma existência trágica tornou-se perigosa, tornou-se demasiadamente superficial, negadora da verdadeira vida e desejosa de qualquer artimanha mirabolante para fugir da crise, do mal-estar da existência. Ao optar pelo Último homem, por sua vida tacanha, acaba-se por eliminar grandezas, seguir sempre o politicamente correto, odiar os fortes, bajular os fracos. Vivemos numa sociedade de ressentidos, de ovelhas que tramam contra os lobos, de muita piedade, de muitos direitos humanos, de muita debilidade vendida como força. Uma sociedade patológica: seguindo Nietzsche, sofremos da doença chamada homem.