10.8.09

novas cidades invisíveis: flúvia

Quem chega à noite pelo mar, parece ver miríades de vagalumes. Os morros de pedra nua mergulham suavemente no escuro oceano que banha esta cidade. No entanto, Flúvia torna-se mais bela ao alvorecer. De uma rocha gigantesca, sua divindade abre os braços para os navios mercantes e para as prostitutas da orla marítima.
Em Flúvia tudo é festa! Uma vez por ano celebram um bacanal nas ruas. As praças ficam tomadas por jovens efebos que se entregam aos prazeres de machos sedentos. Flúvia é orgiástica! Neste dia sua divindade altaneira desce de seu pináculo para festejar a vida com os mortais. A festa das carnes e fluídos rompe madrugadas de frenesi.
Mas nem tudo é beleza em Flúvia. Jovens mercadores de substâncias ilusionárias - com seus exércitos de imberbes - espalham dor e morte pelas ruas da cidade. Um viajante desavisado pode se perder nos labirintos das fortalezas desses grupos beligerantes e encontrar a dor e a morte.
Passar por Flúvia é algo quase inesquecível! O viajante, ao sair desta cidade, logo esquece suas maravilhas, pois tudo não passa de uma ilusão. Ao virar-se para trás, o viajante vê apenas uma cidade em ruínas cercada de glórias do passado.