A parada gay de São Paulo (Parada do Orgulho LGBT) é sempre um assunto quente. Perguntas sobre os limites, sobre o local da manifestação, sobre os gastos e lucros e sobre o número de público movimentam os preparativos do evento e permanecem na mídia por semanas.
Acerca do público, alguns falam de 4 milhões (sempre achei um número inflacionado) outros falam de 270 mil. Um disparate de informações. O fato é que a Parada tornou-se uma peça fundamental no mercado turístico paulistano. Todos estão de olhos no Pink Dollar, como é chamado o poder requintado de compras do público homossexual.
O tema proposto pelos organizadores do evento gira sempre em torno da luta contra a homofobia. É fato que o preconceito contra grupos homossexuais existe, é fato que a violência 'rola solta', é fato que educação e respeito são condições fundamentais para a construção de uma cidadania sólida, madura. No entanto, acredito que a Parada perdeu em muito seu caráter reivindicatório, seu caráter de cobrança de políticas públicas. A Parada tornou-se uma festa (o que já é uma grande conquista), um desfile de muitos deslumbrados e poucos conscientizados de causas. A Parada tornou-se um evento típico de um Brasil despolitizado, descrente dos processos políticos. Um país em que as centrais sindicais somente conseguem arrebanhar trabalhadores em comícios se for prometido shows e sorteios de eletrodomésticos e carros. Um país que mobiliza milhões pelo futebol e uma pequena aglomeração de pessoas pelos direitos na educação, na saúde.
Nesse sentido, a Parada é tipicamente brasileira: muita festa e pouca luta. Talvez Harvey Milk (e suas seminais passeatas pelas ruas do Castro em San Francisco - Califórnia) ficasse feliz pela grandeza do evento paulistano e triste por seus participantes. Mas, não podemos deixar de tirar o chapéu: nessas quase duas décadas de Parada muitas coisas movimentaram-se. O preconceito permanece mas, agora os guetos já não são tão fechados como antes.
Viva a cidadania e o respeito por todos.
