Certezas são confortantes. Nos protegem, nos acalentam.
Certa vez, alguém disse - falando sobre condenações heréticas - que nenhuma verdade intelectual poderia valer uma vida.
Nessa soberba de querer ser portador da verdade, de querer ser o guardião da revelação reside a soberba mais primitiva e destrutiva.
Há algum tempo, tento abdicar de certezas e relativizar verdades escravizantes. Isso dá leveza e diálogo, possibilidade de encontro com os outros. É uma tarefa árdua, perigosa e traiçoeira... que pode ser trilhada.
Estou farto dos portadores da verdade que desenrolam seus pergaminhos em praças públicas e condenam a todos. Em nome da certeza destroem toda forma de fraternidade.