14.1.14

[devaneios tolos]...sobre rancores e outros demônios

O grande presente que a insônia me oferece é a lucidez. A sensação de ser um estranho na cama proporciona-me lampejos de consciência que somente experimentei em carregadas sessões de psicoterapia. Ultimamente, venho matutando sobre o sentido do sentimento de rancor.
Sempre sonhei ser um vilão shakeperiano, um homem inundado de rancores e de planos astutos de vinganças. Sempre quis me imaginar forte, combativo e destrutor. Mas, os deuses conspiraram contra meus sonhos e pela graça sou um paspalhão melodramático: menos Shakespeare e mais Molière.
No fundo, bem lá no fundo, não consigo entender como pessoas gastam suas vidas para cultivar rancores e outros demônios. Gastam a vida envenenando-se com mesquinharias, planejando malfadados planos de vinganças, de "acerto de contas".
Tem tanta coisa bonita pra se viver, tem tanta gente legal pra se conhecer, tanta cerveja a ser degustada, tantos vinhos, tantos temakis, tantos amores, tantos filmes, tantos prazeres, tantos e tantos sonhos. Pra que ficar alimentando a alma com dores, ressentimentos, rancores?
Chegou um momento na vida em que tudo que quero é paz. Paz e vontade de continuar a ter uma vida afirmativa, criadora de sentidos e de nobreza.
Seja bem vinda toda lucidez que emana da insônia!

Uhhh 01: Sábia é a experiência cristã que ensina a vencer o rancor com o perdão.

Uhhh 02: Na boca de um cristão, que professa o amor, o ódio e o rancor soam tão estranhos.

Uhhh 03: O exercício de escrever em plena madrugada é muito prazeroso.

Uhhh 04: Não confunda paz com marasmo, com uma vidinha escrota sem energia.


Força Sempre!
14jan2014