A primeira referência sobre as torturas feitas pela Ditadura Militar no Brasil me foi dada por uma professora de Inglês durante a época do Colegial. Comentando algumas pichações de muros acabou nos revelando a face oculta dos militares e suas fardas reluzentes. Falou sobre o DOI-CODI, sobre a tortura, sobre as mortes e desaparecimentos. Já estávamos em "tempos de paz", em tempos de Diretas Já e de sonhos de mundos melhores.
Com o mundo rasgado por minha nipônica professora de Inglês passei a entender o rosto esperançoso de meu pai ao nos levar para um comício do nascente PT. Eu tinha onze anos de idade.
Hoje entendo muito bem o que ocorreu nos porões da Ditadura. Ouço escandalizado jovens desejarem o retorno dos militares, desejarem ordem a todo custo. É estranha uma sociedade que se irrita com a limitação do espaço de estacionamentos por conta da criação de ciclovias, que aplaude a retirada violenta de pessoas "sem teto" que invadiram imóveis ociosos há décadas e que, ao mesmo tempo, ignora o componente político-administrativo para a falta de água no mais rico estado brasileiro.
Vivemos tempos obscuros. Sou contra a ditadura, sou contra a militarização da sociedade, contra a corrupção e os corruptores. Acredito que a única forma para vivermos juntos, com respeito e alteridade, é o inevitável caminho político, a arte de conduzir a pólis, a coletividade. Estamos em tempos de eleições presidenciais, tempos em que rancores saem por todas as partes: dossiês escabrosos, falácias descaradas, pressões econômicas. Sei que o velho PT da minha infância já não mais existe, o PT dos brochinhos vendidos "pela causa", das camisetas "oPTei", das bandeiras. No entanto, não sou saudosista, sou prático. Acredito na política do possível! Declaro meu volto em Dilma Rousseff por acreditar ser ela a portadora de coisas que acredito. Vejo nela, que conheceu os malditos porões das torturas, a capacidade de conduzir o país. Essa é a política do possível: já não tenho sonho idílicos com ninguém, não acredito em coelhinho da Páscoa e nem em Salvadores da Pátria.
Acerca dos casos de corrupção: isso é endêmico na política capitalista mundial. Uma coisa que o PT ofereceu nos últimos anos foi não privar o trabalho da imprensa, algo tão recorrente entre os tucanos (veja o caso descarado de desvio de dinheiro no Metrô/CPTM de São Paulo). Devemos combater a corrupção a todo preço, devemos cortar na carne, informar a sociedade e construir uma sociedade com espaços públicos garantidos.
Para tempos difíceis, medidas políticas corajosas são necessárias...
Sobre a Ditadura ouçam 1965 (Duas tribos) da Legião Urbana...
https://www.youtube.com/watch?v=ZpvBk5BYqqA
Força Sempre!
22set2014
