21.1.14

[reflexões]...o planeta água

O soviético Yuri Gagarin foi o primeiro homem a realmente ver nossa mãe Gaia. Tal qual a criança que abandona o aconchego do útero para experimentar a vida, Gagarin transpôs os limites do grande útero telúrico e exclamou: "A Terra é azul!" 
Para o espanto geral, a nossa casa mãe não traz a cor das terras ou dos inóspitos desertos, ela traz a cor do abissal oceano, com seus perigos, segredos e poesias. Talvez, muitos já disseram isso, o nome correto de nosso planeta deveria ser Água.
Percorrer as distâncias é sempre algo que me fascina. Desejo conhecer tudo. Quero que meus pés acompanhem a minha insaciável curiosidade e meus imensos desejos. Desejo trilhar rotas, traçar mapas, perder-me para achar-me: o mundo é tão grande e existe tanta coisa para se descortinar, para aprender e para contemplar. Fico extasiado com a Serra do Mar, com os caminhos de peregrinação, com as geleiras meridionais, com os cumes inóspitos, com as metrópoles, com os turbilhões de gente.
Nesta última semana fui apresentado, por amigos queridos, a um mundo que minhas botas ainda não conheciam (e nem foram necessárias). Fui apresentado ao tenebroso oceano. Já o conhecia desde a costa, como quem acaricia o ser amado sem querer desvendar seus segredos. Agora, timidamente, conheço sua força, sua imensa dimensão, seus seres que nadam com se fossem alados, sua profundeza, a confusa mistura de medo e de sedução. Olhando desde um frágil conjunto de óculos e de snorkel posso concordar com o desbravador Gagarin: o mundo é realmente azul, sedutoramente esverdeado, perigosamente profundo, furtivamente acalentador!


Força Sempre
21jan2014